Telemedicina que o paciente de 60 anos usa sozinho, sem pedir ajuda.
Um desafio de processo seletivo em 2020: o briefing dava um app de consulta médica a domicílio que não emplacava e pedia uma direção. Repensei o fluxo pro problema real, médicos não aderiam e pacientes acima de 40 anos não gostavam de usar. Do sketch à mão ao protótipo navegável.

O app estava pronto, ninguém adotava
O briefing do desafio era esse: uma empresa tinha lançado um app de consulta médica a domicílio pra substituir o consultório, e ele travava nos dois lados ao mesmo tempo, os médicos não aderiam e os pacientes acima de 40 anos não gostavam de usar. Minha tarefa era repensar o fluxo de telas pra aumentar a adesão dos dois.
A virada
O problema não era o serviço, era a interface
Mergulhei justamente no público que resistia: pessoas acima de 40 anos, muitas com pouca intimidade com tecnologia. O problema não estava no serviço, estava na interface, que pedia mais do que essa pessoa estava disposta a aprender só pra marcar uma consulta. Reenquadrado assim, o trabalho deixou de ser sobre o produto e passou a ser sobre a barreira de uso.
Menos escolhas, mais mão na condução
Traduzi esse insight em princípios de UI pra esse público: alto contraste, menos detalhe por tela, tipografia grande sem serifa, navegação linear no lugar de menus, texto de instrução em cada passo e feedback contínuo a cada ação. Menos escolhas simultâneas, mais mão na condução, cada decisão a favor de quem tinha menos familiaridade com o celular.
Rascunhar à mão pra decidir barato
Rascunhei tudo à mão antes de ir pro digital: logo, wireframes, fluxos e um style guide inicial. Esboçar no papel deixa testar muita ideia por hora, sem custo, e chegar no digital já com as decisões estruturais tomadas.

Duas jornadas, uma linear pra cada
Montei o protótipo navegável com duas jornadas separadas, Sou médico e Sou paciente, cada uma com seu fluxo próprio. Da abertura ao agendamento e ao pagamento, tela por tela, na sequência linear que o público testado conseguia seguir sem travar.


Validar com quem resistia
Fechei propondo como validar: colocar o protótipo na frente do próprio público que resistia, pra testar a hipótese de que o fluxo linear e as telas mais limpas reduziam a barreira pra quem tinha menos intimidade com o celular. Num desafio de seleção, o raciocínio pesa mais que o pixel.
O que eu faria diferente hoje
Isso foi um desafio de processo seletivo em 2020, então parou no protótipo e nunca virou produto vivo. A aposta central se sustenta: pra esse público, menos escolhas e fluxo linear ainda são o caminho. Mas hoje, com o que a tecnologia permite, eu iria além das telas mais simples: onboarding assistido, voz, uma IA que conduz a pessoa passo a passo. Um bom exercício envelhece mostrando o quanto o teto subiu.